Disseminação de Dados

Disseminação de Dados

Disseminação de dados é uma fase no processo estatístico em que os dados recolhidos e compilados pelas agências estatísticas são divulgados ao público. O Primeiro Princípio Fundamental das Nações Unidas sobre Estatísticas Oficiais estabelece de forma clara a responsabilidade da publicação de informação ao público:

 As estatísticas oficiais constituem um elemento indispensável do sistema de informação de uma sociedade democrática, servindo ao Governo, à economia e ao público dados sobre a situação económica, demográfica, social e ambiental. Para o efeito, as estatísticas oficiais que satisfazem o teste de utilidade prática deverão ser compiladas e disponibilizadas de forma imparcial pelas agências de estatísticas oficiais como forma de honrar o direito dos cidadãos à informação pública.

Para o propósito de planificação da ENDE, a disseminação deve ser considerada o objectivo principal de um sistema estatístico dentro do contexto de um plano integrado de desenvolvimento. Com maior potencial de acesso à dados, existem dois aspectos que devem estar reflectidos na ENDE: disseminação oficial e disseminação no seu todo.

Disseminação Oficial

Uma agência estatística responsiva compromete-se a publicar informação ao público de acordo com um calendário de divulgação. Esta obrigação encerra em si um grande compromisso pois este processo implica a definição de indicadores chave que devem ser publicados em intervalos regulares. Estes indicadores podem satisfazer relatórios nacionais, regionais e internacionais. Para o efeito, os GDDS e SDDS do FMI estabelecem padrões claros. Trabalhar num plano de disseminação de dados deve envolver os pontos focais e pessoas chave no processo em todo sistema estatístico. Os países que estiverem a elaborar as suas ENDEs devem focar-se substancialmente no cumprimento dos GDDS e devem juntar todos actores chave de modo a assegurar cumprimento, melhoria e finalmente transição para processos mais complexos e ordenados de acordo com o estabelecido pelo SDDS. Relatórios das agências estatísticas para agências internacionais de monitoria sempre seguem requisitos e formatos específicos de elaboração de relatórios que são dados à estas agências. Estes devem ser reconciliados dentro do contexto de uma política de disseminação de dados públicos em que o público em geral tem acesso à mesma informação relatada às agências regionais e internacionais. É importante realçar que dentre muitas práticas estabelecidas no GDDS, a simultaneidade de divulgação é fundamental.

Público em geral

A disseminação de dados ao público em geral requer consideração e estratégias criteriosas. Os países devem elaborar estratégias de disseminação de dados. A ilustração que se segue da (UNECA/CENUA) estabelece uma referência conceptual que devia definir as várias comissões de usuários e a procura de dados que estas precisam.

Desenvolver uma abordagem para a disseminação que tenha como alvo os usuários deve ser a pedra angular da ENDE. O desenvolvimento de uma política de disseminação de dados coerente com um documento que permite o desenvolvimento como a ENDE que é responsável pelas actividades e financiamento e monitoria de progresso irá providenciar o contexto prático para a implementação da política de disseminação. Usando o diagrama acima, enquanto formula-se a ENDE, o SEN deve responder às seguintes perguntas: quais são os usuários chave e os principais meios pelos quais o sistema irá informa-los? Direccionando-se aos usuários com publicações específicas ou portais de disseminação pode ser eficiente. Contudo, a sua efeciência devia ser medida de modo a avaliar a procura de forma contínua.

Um aspecto importante que uma agência de estatísticas deve ter em mente é a necessidade de dar dados visuais efectivos para informar certos sectores da sociedade. Os jornalistas poderão exigir certas formas de ver conceitos estatísticos; fazedores de políticas podem ter suas formas preferenciais de visualizar. Desenvolver abordagens criativas de visualização de dados pode ter um impacto no processo de vulgarização do uso de dados.

PARIS21 desenvolveu e compilou algumas ferramentas para a promoção da visualização de dados através de um programa específico de formação (vide: http://www.paris21.org/datavis), que serve de uma plataforma para colaboração entre estaticistas e usuários de modo a adoptar ferramentas de visualização de dados e assegura o seu uso alargado no sistema estatístico.

Eficiência de Medição

Qualquer ENDE deve ter indicadores de monitoria desenhados para determinar a eficiência das suas políticas de disseminação. Estes indicadores devem ser regularmente reportados. Incluír estes indiadores de medição na ENDE garantirá que os indicadores sejam reportados. Estes indicadores devem responder à certas perguntas fundamentais e incluírem:

• Serão os portais de dados formas eficientes de disseminar dados agregados?
   o Uso de google analytics para medir acesso público e uso de certos sítios

• Será que existem outras formas de disseminar dados?
   o Número de chamadas telefónicas informais recebidas por dados? Número de emails solicitando dados e que dados?

• Que instituições no país são mais activas no uso de dados?
   o Número de pesquisa ou outras agências activamente envolvidas numa parceria com agências estatísticas

• Quais são as campanhas de informação pública mais eficientes para aumentar o uso de dados?
   o Aumento no trâfego no sítio web (uso de spikes) após campanhas de promoção
 

Estes indicadores de monitoria deviam ser parte do pacote completo de uma ENDE desenhada não apenas para desenvolver sistemas de disseminação que respondam à padrões internacionais mas quetambém respondam à variedade dos usuários de dados. E para a ENDE, é fundamental focar-se no uso nacional de dados por praticantes nacionais e o impacto que estão a ter na determinação da capacidade autónoma do país de desenvolver uma cultura profunda e de respeito pelas estatísticas.

Alguns itens para incluir na Disseminação de Dados na ENDE

  • Será que o país participa no GDDS? Será que o ponto focal para GDDS está envolvido na definição de padrões mínimos?
  • Será que os padrões tais como os calendários de divulgação e divulgação simultânea de informação estão contemplados na ENDE?
  • Será que existe uma visão integrada de disseminação de dados expressa na política de disseminação de dados?
  • Existem reformas necessárias na lei para permitir maior acesso aos dados?
  • Será que os requisitos de confidencialidade são respeitados?
  • Será que os usuários estão devidamente definidos?
  • Será que as campanhas de informação pública estão incluídas na ENDE?


Portais de Dados

Existem dois aspectos de disseminação de dados, que terão passado por alterações monumentais nos últimos tempos e por conseguinte, merecerem uma avaliação criteriosa. A ‘comunicação social’ que realiza as divulgações (de transformações de papel para digitais) e a ‘entrega’ das divulgações; que se está a transformar através da “conectividade” da internet, de ser um modelo de comunicação ‘um-para-um’ para ‘um-para-muitos’

O uso cada vez crescente de portais de dados entre os INEs para a disseminação de dados, mostra esta tendência. É um desenvolvimento positivo que permite maior disponibilidade e acessibilidade de dados. O Manual sobre Maiores Plataformas de Gestão de Dados Estatísticos da CENUA é um recurso importante para os INEs e pode dar orientação durante o processo de tomada de decisão para ajudar os INEs a selecionar plataformas adequadas para gerir e disseminar dados estatísticos para os seus usuários. Outro recurso útil é a avaliação técnica do Banco Mundial das plataformas de dados abertos dos INEs.

Embora haja boas intenções para aproveitar o potencial dos portais de dados, quando chega o momento da verdadeira implementação dos resultados tem havido uma mistura. Um problema em particular tem sido o set-up de múltiplos portais de dados com sobreposição de funcionalidades e a sua falta de integração – sobretudo na maioria dos países dependentes de ajuda. Isto resultou na (i) duplicação da carga de trabalho para os INEs já com insuficiência de recursos que têm de manter vários portais de dados e actualizar informação manualmente, (ii) confusão aos usuários que consultam vários portais de dados muitas vezes com resultados contraditórios, e (iii) em geral custos altos claramente para uso baixo destes portais.

Neste contexto, PARIS21 produziu um documento para debate – fazendo com que os Portais de Dados funcionem para os ODS: Uma visão na implantação, desenho e tecnologia. Este documento contém lições sobre como aspectos da implantação, desenho e tecnologia podem ser melhorados a medida que os INEs entram na fase de implementação e monitoria dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável – que deverão permitir avançar ainda mais nessa direcção de portais de dados.

Quadros de disseminação de dados centralizados

Um quadro em que a disseminação de dados é vista como sendo o culminar de um grande processo eficiente e eficaz de gestão de dados que poderia ser uma solução que os INEs poderiam seguir. Ao contrário de plataformas fragmentadas de portais de dados, soluções de software que seguem uma arquitetura modular, que vincula estritamente processos de “back-end” (por exemplo, produção) com o processo “front-end”, (i.e. disseminação), e que pode dar azo ao surgimento de um ambiente centralizado de disseminação de dados, podia ser o caminho a seguir. Seguindo os padrões tais como o quadro de Arquitetura Comum de Produção Estatística (CSPA), esta nova abordagem poderá trazer consigo um foco sobre o processo mais que necessário de reengenharia e reforço nos INEs.
 

Communicação de Dados

A comunicação official de dados e estatísticas requer esforços concertados. Quando dados são bem comunicados, é fácil analisar a sua influência positiva no seu consumo e por conseguinte, desenvolver impacto criado. Os INEs podem aperceber-se disto através da prestação da comunicação à audiência correcta com os dados correctos no formato correcto. De modo a aumentar a probabilidade de que um grupo alvo preste atenção e use os dados disponibilizados, tem de se tomar em conta o prazo e canais adequados para a entrega e distribuição dos dados.

É importante reconhecer que a comunicação de dados é um caso especial da comunicação em geral. Neste contexto, o uso da palavra “dados” aqui, é feito com um sentido explícito de “informação em forma numérica” e não no sentido geral de informação factual. Por isso, o objectivo de comunicação efectiva de “dados” é para assegurar que os dados são transmitidos, descodificados e percebidos correctamente, e faz-se o devido seguimento.

Nesta perspectiva, uma estratégia alargada de comunicação, em que a comunicação de dados podia fazer-se uma componente, podia ser desenvolvida pelo INE em estreita colaboraçãocom os membros do SEN. Na maioria dos casos, o objectivo principal desta estratégia seria de sistematicamente guiar os esforços do SEN na consciencialização e mobilização do apoio com vista ao alcance dos objectivos estabelecidos da ENDE do país. Tendo a comunicação de dados como uma componente, podia-se chamar a necessária atenção e recursos para a sua implementação efectiva. Este documento pode ter uma colecção de estratégias ; e audiências alvo identificadas e as mensagens chave correspondentes pelas quais o INE poderia procurar alcançar a sua advocacia a dados e objectivo de comunicação e os objectivos estratégicos da ENDE. Vide o capítulo “D. FAZENDO ADVOCACIA” nos seus Passos Essenciais da ENDE.